SOPA, pirataria e o desrespeito com os jogadores

25/01/2012 - 18:19

por GAMESFODA

No começo dos anos 90, jogos com dinossauros e homens das cavernas eram uma tendência tão forte quanto o sernatejo universitário é hoje. Exemplos como Joe & Mac, Bonk e Primal Rage devem pipocar na lembrança dos mais velhos. Hoje em dia jogos assim estão praticamente extintos (tudum pish!), mas um outro tipo de dinossauro está repercutindo nos noticiários e redes sociais: os dinossauros da indústria do entretenimento, lutando contra a própria extinção e desenvolvendo novos métodos para tentar “combater a pirataria”. E eles não são nem de longe tão divertidos quanto aqueles dos jogos de SNES.

Se você não ficou ocupado com estupros e aleatórias no Canadá, deve ter acompanhado todo o falatório em cima de dois projetos de lei que estão em andamento nos Estados Unidos: SOPA e PIPA. Dois nomes que você já deve estar de saco cheio de ouvir (nem vou fazer trocadilhos com eles porque não sobrou mais nenhum). Se não sabe do que se trata, aproveita enquanto o Google ainda não foi censurado e se informa a respeito.

Resumindo pros preguiçosos (pqp vocês), SOPA e PIPA são duas leis que estão em votação nos Estados Unidos com o suposto objetivo de acabar com a pirataria na Internet. As leis dão a detentores e direitos autorais o poder de bloquear qualquer site que esteja usando seu conteúdo de maneira indevida, e ainda consideram ilegais os sites que ensinem como burlar o bloqueio ou que tenham links para os domínios proibidos. Ou seja, avacalha com a internet livre, debochada e lotada de vídeos de gatinhos que conhecemos.

Além desse lance de ameaça à liberdade de expressão e compartilhamento na internet, um dos maiores problemas do SOPA é que ele trata todo e qualquer cidadão como se fosse um criminoso em potencial. Esse troço fecharia o blog de culinária do padeiro da esquina só porque está hospedado em um domínio que outras pessoas usam pra divulgar torrent de jogos de Wii. Ou seja, o padeiro responde pela cagada dos outros. E se quer saber, isso não é novidade nenhuma, principalmente para nós, fãs incondicionais de joguinhos eletrônicos. Estamos acostumados a conviver com métodos idiotas (e quase sempre inúteis) de combate à pirataria. O que pouca gente percebe é que nisso estão nos tratando como criminosos em potencial do mesmo modo que o SOPA quer fazer. Duvida?

Repara então em como atualizam o firmware do seu console à procura de softwares ilegais de um jeito três vezes mais chato e insistente que esses detectores de metais de aeroporto. Pensa no código de uso único pra jogar com a Mulher-Gato em Arkham City, tentando te proibir de emprestar o jogo “inteiro” pra amigos ou de trocar/vender como usado. Olha o limite no número de vezes que você pode jogar uma demo de 3DS. Falando em 3DS, repara na trava de região que te impede de jogar um jogo americano em um console japonês. Acho que o exemplo mais escroto é o DRM da Ubisoft que te obriga a estar conectado à internet pra poder jogar. O fato é que nós enchemos o rabo das desenvolvedoras e publishers de dinheiro pra em troca sermos tratados com desconfiança, como se estivéssemos tentando entrar de bermudão e chinelo na cerimônia do Oscar.

É fato que depois de todos os protestos, apagões e ameaças de morte da última semana, as chances das leis serem aprovadas diminuíram. Até o tio Obama já disse que é contra as leis. Mas não pense que os dinossauros da indústria do entretenimento vão parar por aí. Essa briga já vem desde que alguém descobriu que dava pra copiar fitas com o videocassete, e devemos ver muitas outras SOPAs nos próximos anos.

“Beleza, mas o que raios eu posso fazer?”, você me pergunta. Não vou pedir pra boicotarem as empresas de jogos que te tratam como lixo porque é o mesmo que pedir pra um viciado boicotar a cracolândia. A Capcom é uma das maiores mercenárias do mercado e tá todo mundo aí separando dinheiro desde já pro Resident Evil 6. Em vez de boicote, é melhor focar em algo mais realista: simplesmente não ficar quieto e nem fechar os olhos para as coisas que emputecem e subestimam sua inteligência.

A internet está aí e ainda é livre pra você reclamar, criticar e mostrar pra todo mundo o que você não aprova enquanto cidadão, consumidor, fã de videogames, treinador pokémon e nerd devoradores de Doritos. E falando em protesto, fica um último pedido GAMESFODA aqui: se for reclamar diretamente para uma softhouse, aproveita e pede pra eles esquecerem os zumbis e voltarem com aqueles jogos de dinossauros e homens pré-históricos de antigamente. Obrigado.

 Artigo originalmente publicado em 20/01/12 no portal Gameworld.

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