Qualé a desse tal de… Call of Duty: Ghosts

  20/11/2013 - 16:34   call of duty ghosts, review,  
 

Num mundo constantemente ameaçado pelo lens flare se passa a história de Call of Duty: Ghosts (Vem pro Trampo: Fantasmas). Os protagonistas dessa história são o Cachorro, o Pai, os Dois Filhos, o Ajax (mas esse aparece rapidinho e é só pra morrer – SPOILER) e eles se metem em diversas enrascadas em lugares diversos onde explodiram bombas (e explodem mais ainda enquanto a gente passa por eles) e portanto estão em ruínas, dando um charminho visual que não tinha nos CoD antigos.

Também tem duas missões com tiroteio no espaço.

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Explode muita coisa nesse jogo! Alguns reclamaram que explodiu o próprio saco por notarem que o jogo é trancado só pra quem tem mais de 6GB de RAM instalados no PC, mesmo rodando normalmente pelo steam backup  independente de quanta RAM tu tenha e nunca usando mais de 2GB enquanto roda, se tu for dar alt-tab e olhar. Mas é bem bonito mesmo não usando todos esses 6 gigas, nada que se diga NOOOOSSA, no entanto é perceptível que é algo da “próxima geração”, principalmente pelo dinamismo e número de coisas acontecendo na tela.

Em lugares remotos da internet – tipo sites chamados “GAMESFODA” – existe gente que admite que sim, joga Call of Duty pela sua campanha e mal toca no multiplayer, e que aprecia o que tem de bom pra se apreciar nessas. Eu mesmo já escrevi como a campanha do primeiro Modern Warfare é uma das minhas favoritas pelo seu primor por ritmo e sobre como a do Black Ops 2 é mais “completa” mas isso acaba prejudicando mais o jogo do que ajudando – você pode ler essa baboseira toda aqui e eu recomendo pra entender sobre o que eu vou falar nos próximos parágrafos.

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Eu não vou chegar aqui e dizer que o Ghosts é o novo CoD4 pois a gente já tem CoD4 e ele ainda tá lá com seu valor e nunca vai sair. Mas posso dizer que o Ghosts é o melhor Call of Duty desde o Modern Warfare 2 – que também não era CoD4 mas tinha seus momentos de brilhantismo – e não sei o quanto isso vai significar pra qualquer um que não seja eu, mas me faz muito feliz, visto que eu estava com medo de que ele fosse seguir a linha Black Ops 2 e botar um monte de “táticas” e “sidequests” e “escolhas” e “história” num jogo que deveria ser sobre atirar e andar pra frente e ficar maravilhado com o número de coisas acontecendo ao mesmo tempo. Não me refiro só a explosões, mas é tão natural você olhar pro canto mais remoto possível da sua tela e notar que algo tá rolando lá: um guardinha correndo pra se esconder, um engenheiro tentando salvar sua obra, alguém se preparando pra te flanquear. Enfim, não importa pra onde a sua câmera está apontando pois VAI TER algo lá.

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E é isso que é Call of Duty: te encher de detalhes mas saber que você não liga pra eles pois é mais legal ser constantemente empurrado pra próxima onda de inimigos, então ele não esfrega esses detalhes na sua cara. No entanto se você para e olha em um dos momentos mais tranquilos do jogo (que juntos não devem dar nem dois minutos) algo vai estar acontecendo. Ghosts tenta sempre te entreter independente de onde você esteja olhando – esteja no espaço, no Rio de Janeiro, numa floresta onde houve uma queda de avião, sempre vai ter um pedaço do processamento do jogo se certificando de que algo vai estar se mexendo quando você virar rapidinho pro lado.

Essa ideia de “mundo em um corredor” serve pra dar uma sensação quase que rotineira pra tudo o que está acontecendo. Te mostra que embora você seja o organismo estranho naquele corredor – o cara doido que vai atirar no engenheiro que, ao ver seu batalhão se aproximar, tenta se esconder atrás da mesa – tudo aquilo ia acontecer de qualquer maneira pois você é exatamente isso: um cara num esquadrão. E realmente não importa se você é um dos Dois Filhos do lendário Pai ou um dos integrantes dos Fantasmas que deixou O Cara Mau pra trás em uma missão de flashback (e é isso que causa toda a merda que está acontecendo no mundo).

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Call of Duty é o BLAST PROCESSING moderno.

O jogo te cansa e te dá fome enquanto você joga porque é sempre muito intenso nos seus melhores momentos e te faz rir do texto abismal nos piores. A campanha de Ghosts é mais ou menos o que aconteceria se o Michael Bay dirigisse as cenas de ação de um filme que teve seu roteiro escrito pelo Shinji Mikami – é tão ruim que dá a volta duas vezes até você esquecer que tem uma história rolando ao fundo e só aproveitar o quão meticulosas são as técnicas pra te fazer sempre andar pra frente e atirar sem colocar nenhum marcador de missão na maior parte do tempo, parecendo até alien quando esse marcador aparece e você pensa “ué, não tinha antes?” e nota que não, não tinha, durante as últimas três horas você prosseguiu metade do jogo sem nem notar que foi levado por ele ao invés de levá-lo.

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Max Payne disse no seu segundo jogo homônimo que quando você está olhando pelo barril de uma arma o tempo parece estar em câmera lenta. Quando você recebe aquela descarga de adrenalina ao estar descendo um prédio por uma corda do lado de fora atirando em quem tá dentro parece realmente que o jogo entra em câmera lenta – e talvez entre, eventualmente eu rejogarei pra me certificar – e todo o sangue e vidro sai voando como se estivesse dançando ao som da valsa mais METAL que existe. Então você se lembra que é uma missão stealth, dá um risinho e aceita o quão ridículo é tudo. Então você nota que a maioria dos videogames são ridículos e que esse só não tenta esconder isso.

Call of Duty é ridículo. Antes, quando ele retratava a segunda guerra mundial, não era ridículo. Não era tão bom, também. Não tinha um cachorro.

O Cachorro não é tão presente quanto os trailers fizeram parecer, ele está lá e tem uma missão que você controla ele e aparece escrito “PRESS F TO BARK”, mas não é um ponto vital e também não está lá só pra manipular você emocionalmente em momentos tensos, ele também é só mais um membro do esquadrão, só acontece de ser um pouco mais peludo que os outros. O nome dele oficial é “Riley”, mas é O Cachorro.

O que eu quero dizer com tudo isso é que se você se decepcionou com Sonic Lost Worlds você deve jogar Rayman Legends. Se não está com vontade de Rayman, jogue Ghosts. É praticamente a mesma coisa, mas tem mais caveiras e os bonecos parecem de verdade.

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Ghosts é de novo um jogo sobre nunca parar e sobre ter algo pra fazer mesmo se estiver parado. Infelizmente tem o nome “Call of Duty” então todo mundo vai julgar de cara, mas é a coisa mais retardada e sensacional que você pode fazer sem compromisso algum com o que vai acontecer lá ou vai deixar de acontecer.

Enquanto eu jogava, me lembrei daquela paródia de Bulletstorm, a “Duty Calls”, que retratava um FPS militar e que cada vez que você atirava o barulho da arma era alguém gritando “BORING” pra mostrar que Bulletstorm era zoeira, não se levava a sério, ia ter uns bichos gigantes e ia botar esses outros FPS no chinelo com o quão legal ele seria. Bulletstorm nunca chegou no nível de Call of Duty de zoeira, é só que é tudo tão sépia que parece que não é zoeira, mas é sim. E se não for, não faz diferença.

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Call of Duty: Ghosts conta uma história, mas eu não lembro direito dela. Call of Duty: Ghosts tem multiplayer, mas eu joguei pouco dele. Call of Duty: Ghosts tem um cachorro. Tem explosões, armas, homens suados, sangue. Tem uma esteira invisível que te faz sempre ir pra frente sem você perceber.

Depois disso tudo tem um gancho pra continuação, e aí tem os créditos, e aí toca Eminem. Então a plaquinha de fim de fase gira, como não girava há quatro anos.

Sem título

 

Call of Duty: Ghosts está disponível pra PS3, Xbox 360, Xbox One, PS4 e PC (versão jogada).

Neozao

Sobre

Guilherme Alves “Neozao” é game designer não-praticante, gosta de chá e de comer sobremesa com a menor colher possível.
  • eltonbm

    Contando a quantidade de resenhas mostrando o quanto a estória de Call of Duty já mergulhou no abismo infinito da doideira, e acabou achando fundo, esta resenha se atem ao fato do jogo ser divertido. Eu nunca joguei nenhum Call of Duty, e não falo isso com nenhum prazer, afinal ,é uma série extremamente importante, por melhor ou pior que seja. E pretendo mudar isso algum dia (pena que as promoções do Steam para ela são péssimas, ele sempre está um pouco caro).
    E quanto ao fator ridículo, de fato, jogos são, e talvez continuem sendo, ridículos. Mas esses últimos anos tem batido alguns recordes interessantes, com jogos como Resident Evil 6, Tomb Raider, Metal Gear Rising, Call of Juarez: The Cartel, e outros. Talvez seja uma nova moda, quem sabe.
    Pra finalizar, acredito que a resenha mostra um bom exemplo de DiversãoXNarrativa: O jogo é divertido. É bom colocar aquela mira e sair fazendo mil headshots. É simples, acessível, eficiente. Pode ter pouco valor se você olhar pelo ponto de vista de que um jogo multi-milionário não apresente quase nada que possa colocar a mídia em um ponto mais avançado, mas isso nem GTA V fez, e a narrativa dele tem uma posição bem mais relevante dentro do jogo que a de CoD.
    Então, pra quem gosta de CoD, ARMA e Battlefield, seja pelo modo estória(que o BF agora está tentando fazer também), seja pelas maluquices do multiplayer: Embrace the Zoeira.

    • rogeroxx

      esse ghost simplesmente acabou com a série pra mim é o pior já lançado

    • nakeig

      Sei lá, acho que tem que diferenciar games "ridículos de malucos" mas ótimos, como MGR, Tomb Raider, de games simplesmente ridículos de ruins, como RE6, CoJ The Cartel (esse aqui então é pra vomitar. Nem eu aguentei) etc…

  • Valeu pelo texto, Neozao!

    Depois de ler este post, me deu vontade de jogar o Ghosts. Depois de fechar a trilogia MW, achei que não fosse aparecer nada do mesmo nível na franquia (não há nenhuma relação direta em questão de personagens do MW nesse, né?).

    O Black Ops 2 ainda não joguei, pois fiquei meio cético e também pelo motivo que o Elton citou: $$$
    Esses jogos não entram em promoções boas nem fudendo. Peguei o meu MW3 no Steam por uma "super" promoção a R$ 70. Já o Ghosts, vou ficar de olho se rola algum desconto para console nessas "Black Fridays" de mentira que temos no Brasil.

    Bem legal a comparação de Call of Duty com Sonic. Sua campanha é loucura mesmo (pelo menos os Modern Warfare), é tipo para "rushar" mesmo, correria tipo um Mirror's Edge. É uma pena que a maioria da galera se deixe levar por esse estereótipo que foi criado por causa do Multiplayer, estão perdendo grandes experiências gamísticas.

    PS: Legal saber que O Cachorro não é um ponto TÃO relevante assim, fiquei com medo disso, hehehe

    • Eu achei que teria algo a ver o Ghost de MW2 mas não, completamente sem relação com os eventos dos Modern Warfare.

  • nakeig

    É divertido e muito bonito (pelo menos no PC) mas é um dos jogos (dos famosos) mais sem vergonhas que já vi, com um monte de coisas feitas nas coxas e cheio de problemas, sendo que no PC o jogo apresenta problemas até nas cutscenes entre os estágios (e ainda conseguiram piorar e regredir em relação ao BO 2, que mesmo que o reviewer do Gamesfoda não tenha gostado tanto, pelo menos tentou fazer algo novo e foi bem melhor aceito num geral,), isso na campanha, no multi então nem se fala.

    Por mais que seja divertido, mesmo com a resenha tentando ser divertida e tal (olha, eu vejo esse lance de taxar os videogames no geral como joguinhos passa tempo, infantis, ridículos etc algumas vezes aqui no site, condenando tb os "joguinhos" que querem se levar mais a sério, parecendo tentar dar um ar de "diferentão" e "entendido" para os reviews, sei lá, ou até mesmo complicando coisas simples, lembrando até o Marcelo Ressel do Omelete…) indo contra a maré de reviews negativos , tem coisa melhor e mais divertida (mesmo entre as mais retardadas) ainda pra gastar o dinheiro. E pelo jeito a série irá continuar assim por um bom tempo (se é que vai mudar um dia no caso dos CoD da IW, sendo que a Treyarch pelo menos tenta.)

    Para os curiosos, bom pra pegar numa promoção quem sabe (se a pessoa não optar por outra "alternativa"), mas não vale nem Setentão $$$ (no máximo uns 30 "reau" na minha opinião) e os jogos da série são duros de conseguirem uma promoção boa, a não ser que queira esperar uns bons anos… (e nem assim ficam lá essas coisas as promoções).

    E não, não sou chato anti CoD como existem por aí, que ficam chamando as pessoas que gostam de CoD como idiotas e coisas do tipo (seja por causa da campanha ou pelo mp), muito pelo contrário, mas mesmo eu que tenho grande tolerância a certos games ruins e/ou bobos e/ou caça níqueis (se me diverte muito, então tá valendo), acho que nesse caso cheguei ao meu limite…..rs…..

    Desculpa IW, mas não dá mais….

    • Mas eu gosto de jogos que se levam a sério! O problema é quando não dá pra levar a sério, que é o caso de CoD, e aí a gente avalia pelo que ele faz de bom. Mas todos os meus jogos favoritos são, num geral, meus jogos favoritos justamente por serem uma parada mais filosófica e bem estabelecida. O fato de chamar de "joguinhos" não é pra servir como algo pejorativo, é apenas costume. Pra algo ser artístico essa coisa geralmente se dispõe a parecer menos do que é pra surpreender e causar um impacto maior, se começa já nesse nível grande – como CoD – e não consegue se manter, resta pegar o que vale a pena.

      Quanto aos problemas técnicos, eu citei ali que rolam alguns problemas e inclusive sobre a mentirinha safada da Activision com os 6GB de RAM pra dar mais a impressão de "next gen" etc.

      Em suma: eu aprecio algo que se leva a sério quando sucede e mesmo assim não deixa de ser um "joguinho" pois eu não tenho vergonha do fato de que é um joguinho, e ninguém deveria.

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  • Luis Felipe Vitte Soligueti

    CoD Ghost, nem encostei na campanha, o multiplayer é mais ou menos. Mas mesmo não gostando tanto, eu sempre acabo comprando o novo CoD e jogando mais de 100 horas no multiplayer de cada CoD. Gostei da resenha, CoD é isso aí mesmo, um jogo que se reconhece como jogo e pronto, ele não tem que ser artistico ou se levar a sério, ele é um jogo que vai te dar uma arma e umas cabeça pra estoura, com mts explosões e pronto, é isso aí. E isso é o suficiente. P.s: Graças a sua resenha, vou jogar a campanha pra ver qual é, já que o multiplayer não está tão bom.

  • taynara tc

    COD Ghosts é bom para x-box 360 joguei e no meu foi otimo ñ teve isso de explodir as coisas eu daria nota 10,0 se fizerem a continuação amaria comprar o 2 joguei e gostei pelo menos o de x-box-360

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