Qualé a desse tal de… Metroid Prime Federation Force

  25/08/2016 - 16:31   3DS, Metroid, review,  
 

O logo já vem indicando, com “Metroid Prime” menorzinho e “Federation Force” em destaque, que Metroid Prime Federation Force é mais Federation Force do que Metroid Prime. Pra você realmente não se confundir, a direção de arte pontua essa diferença com personagens “chibis”, super deformed, pequenininhos e cabeçudos, versões fofinhas dos soldados e dos bichos da série Metroid. Um contraste gigante com a direção de arte dos outros jogos de uma das poucas séries que a Nintendo sempre tentou manter séria e realista (salvo talvez aquele pinball). O jogo faz questão de te dizer que ele não é bem Metroid mas ao mesmo tempo gosta de te lembrar o tempo todo que ele é sim.

Ou pelo menos que ele se passa no mesmo universo dos outros jogos, já que a Samus é referenciada o tempo todo.

“Olha, falei com a Samus aqui e ela disse que tá rolando um bagulho sinistro nesse planeta aqui. Vão lá investigar.” diz o general no início de quase todas as missões.

“Belo trabalho, vamos pegar estes dados que você coletou na missão e mandar pra Samus analizar. Muito foda ela.” diz o general ao final de quase todas as missões.

Em questão de história e narrativa, parece que a ideia do jogo é expandir o lore e mostrar o que acontece quando a Samus está ocupada demais pra resolver as tretas da federação com os piratas e outras criaturas. Aliás, algo que eu nunca entendi direito é por que a maioria das construções dos piratas e ruínas em que explora tem lugares que só são acessíveis pra pessoas que conseguem se transformar em bolinha e que carregam mísseis especiais. Mas MPFF (que abreviado parece um tipo de imposto) tenta explicar até isso. Logo em uma das primeiras missões, surge um puzzle que precisa que bolinhas sejam colocadas em uns buracos pra abrir uma porta e pra minha surpresa, ninguém precisou virar bolinha porque elas já estavam lá! Eu só esbocei um sorriso e pensei “Ah, então é assim que o resto faz”.

Mas nem tudo é diferente. A base do jogo é essencialmente Metroid Prime. Se você tiver um New 3DS ou aquele analógico acoplável bizarro, pode usá-lo pra ajudar o direcional extra no controle da câmera. Se não, o jogo usa o giroscópio. É meio estranho no início, mas eventualmente você se acostuma. De qualquer forma, nenhum dos dois métodos é ideal e então, assim como no Metroid Prime original, você consegue travar a mira nos inimigos e usar um dash pra desviar pros lados. Enfim, o gameplay é o mesmo da trilogia do Game Cube/Wii, e inclusive eu me surpreendi ao ver que o jogo não é só um shooter puro. Tem alguns puzzles, um pouco de stealth e até exploração. O grande diferencial mesmo está no foco no multiplayer, algo que acaba influenciando toda a estrutura do jogo.

MPFF é dividido em pequenas missões que duram de 10 a 15 minutos em média e que são melhor apreciadas se jogadas em equipe. Você pode jogar tudo sozinho se quiser, mas realmente não é o recomendado. Por mais que algumas missões funcionem bem assim, várias não são bem balanceadas pra isso, e ainda que o jogo tente compensar aumentando a força do seu tiro e te dando drones ajudantes, muitas missões ficam difíceis (e cansativas) demais sem outros jogadores. Há até uma punição pra caso você queira abandonar uma missão no meio, algo compreensível em um jogo multiplayer, mas até meio absurdo em um jogo single player e ainda por cima portátil. Nota-se que o modo solo, apesar de ser o primeiro item do menu, não foi o foco dos desenvolvedores.

Mas a boa notícia é que com outras pessoas o jogo fica bastante interessante. As missões são bem variadas e exploram bem as possibilidades das mecânicas e das interações entre os jogadores. Em algumas o seu esquadrão é incentivado a se juntar pra derrotar um inimigo gigante ou uma horda de piratas; em outras vocês são forçados a se separar pra resolver um puzzle ou se infiltrar em uma base pirata com mais rapidez e chamando menos atenção.

É legal ver como até as mecânicas do BlastBall, o pseudo-futebol (ou pseudo-Rocket League para os leigos) que acompanha o jogo, são aplicadas em algumas das missões. Em uma das minhas favoritas, os jogadores estão em uma espécie de vagão de trem sendo perseguidos por uma nave pirata e a única forma de parar a nave é rolando bolas pra uma espécie de catapulta que consegue causar dano nela. O problema é que só existem duas catapultas, então os outros jogadores ficam responsáveis por defender o vagão de piratas e dos ataques da nave que deixam ele cada vez menor, dificultando a vida dos responsáveis por carregar as bolas (sem piadinhas).

Este tipo de design assimétrico e inteligente está presente em várias das missões do jogo. Inclusive nos chefes, que poderiam facilmente estar em um jogo da série que não fosse um spin-off.

No fim, a verdade é que apesar do nome e do estilo, Federation Force é até que bastante Metroid sim. Pode não ser o Metroid Prime que você quer, precisa ou merece, mas é um bom jogo que mostra que as mecânicas da série são solidas suficientes pra serem aplicadas em algo com um foco diferente. O problema é que pra ele ser bem aproveitado, deve ser jogado da maneira que os desenvolvedores imaginaram e, dada a plataforma e a popularidade negativa do jogo, isso talvez não seja tão fácil.

Tuba

Sobre

Arthur “Tuba” Zeferino é co-criador do site, programador e brother indie.

Visit the best review site wbetting.co.uk for William Hill site.