Final Fantasy XIV e o fim do mundo

  23/02/2017 - 14:03   final fantasy xiv,  
 

Você deve se lembrar de Final Fantasy XIV. Não, não falo da sua versão melhorada e mais popular de 2013, intitulada de A Realm Reborn. Falo de sua primeira versão, patch 1.0, lançada em 2010. Talvez se lembre também que o jogo foi um fracasso tão grande que seu diretor foi trocado poucos meses depois. Seu novo diretor, Naoki Yoshida, fez de tudo para salvá-lo, mas não havia mais jeito. Então, para a meia dúzia de pessoas que ainda jogava, ele fez a coisa mais óbvia e ao mesmo tempo inusitada que poderia se fazer:

Ele anunciou o fim do mundo.

Literalmente.

Mas calma, não foi de cara. Tudo começou com um pequeno pontinho vermelho no céu. Quase ninguém percebeu, afinal o céu de Eorzea é muito diverso, não precisava significar necessariamente algo. Mas aquele ponto curioso cresceu no próximo patch. Ninguém tinha certeza se estavam ficando malucos ou se havia, de fato, alguma diferença, até que então aquela bolinha vermelha virou um modelo completo de uma lua cor de sangue. Nesse ponto os habitantes desse mundo já sabiam que algo estava acontecendo, só não tinham ideia do que.

Final Fantasy sempre foi tradicionalmente uma história de heróis que triunfam contra a adversidade. Por mais que as profecias, o avanço inimigo e a falta de esperança do povo e dos heróis criasse um ambiente pesado, o bem triunfaria, a lua seria parada e o mundo sobreviveria até seu renascimento simbólico. Haveria uma grande batalha épica contra o império, o grande culpado pela queda do satélite, onde morreria seu imperador; seu mentor, Louisoux, usaria uma poderosíssima magia para retornar a enorme bola de volta ao seu devido lugar. Jogadores sairiam com um desfecho satisfatório e prontos pra embarcar no novo mundo quando fosse relançado um ano depois.

Enquanto a lua ficava cada vez maior e o dia do fechamento do servidor ficava mais perto, o mundo começou a ficar estranho. Não havia mais dia nem noite, só um céu avermelhado e ameaçador. Cidades não eram mais locais seguros, monstros, mais fortes que o normal, começaram a invadir e os jogadores começaram a se juntar em lugares específicos para não morrerem.

Yoshida então pediu para que todos que pudessem comparecer ao último dia de vida do servidor, para fazer parte de um grande evento de luta contra o império. Consistiria de um enorme PvE (player versus enemy) onde tropas imperiais lutariam contra os jogadores. Um evento simples, que serviu para passar o tempo até as horas finais de jogo, onde os jogadores se reuniram com seus clãs ou amigos para esperar o fim de tudo e ver o desfecho. Então, dentro do jogo, esse vídeo começa a rodar:

Um CG desse calibre sendo feito para o fim e o recomeço de um jogo não é nada menos que impressionante, mas não é isso que chama a atenção, e sim o que acontece. Eorzea é absolutamente devastada por Bahamut sem a menor chance de se defender. Todos os eventos podem ser relacionados com o desenvolvimento do jogo, desde a magia dar completamente errado até os jogadores (representados pelos heróis genéricos do vídeo) serem enviados para o futuro. Não houve uma cena de vitória triunfal, não houve uma pitada de esperança para o futuro do mundo, todo mundo perdeu. Os diretores, os jogadores, todos perderam algo com o fim do jogo. Perderam seu mundo e suas esperanças de consertá-lo. Embora já houvessem imagens oficiais da nova Eorzea, ninguém sabia o quanto ela seria afetada pela sua destruição, afinal, a versão 2.0 se passaria 5 anos depois desse evento.

Evidentemente Eorzea sobrevive, suas cidades ainda se mantêm de pé e seus comandantes ainda estão vivos. A Realm Reborn é sobre a esperança de superar tudo o que aconteceu anteriormente. Seu mundo já se mostra mais funcional, mas ainda há cicatrizes espalhadas, seja em forma de NPCs que morreram ou se alteraram completamente, ou em marcas literais da destruição.

Os habitantes do mundo original tiveram o privilégio de vivenciar o fim do mundo, ou ao menos algo muito próximo disso. Isso é algo muito particular dos video games. Você pode até assistir um filme que seja sobre o fim do mundo, ou até mesmo jogar um jogo onde o fim do mundo faz parte da história, mas isso é completamente diferente de passar pela experiência do fato. Ninguém mais pode oficialmente retornar a versão 1.0 do jogo, ele acabou. O mundo se foi, não existe mais, e partiu da forma mais espetacular possível. E é por isso que a história de fundo do A Realm Reborn é tão rica. Tudo que os NPCs falam que aconteceu há 5 anos foi algo que teve a participação de pessoas de verdade. Por tudo isso eu respeito Naoki Yoshida imensamente, por tornar uma situação terrível em uma das utilizações mais interessantes e únicas dessa mídia.

Deixo vocês com um registro dos últimos 11 minutos feito por um jogador:

Afro

Sobre

Luiggi "Afro" Ligocky é um pseudo-artista que estuda a área de jogos digitais. É um adorador de jogos japoneses e bizarros desde a época em que ganhou seu Super Nintendo. Grande fã da Nintendo, Konami e Sega.
  • Michel Oliveira

    Lá vem o Gamesfoda me fazendo ter vontade de jogar FF14 de novo… Ainda bem que já parei tem tempo e estou muito atrás de todo mundo.

  • Bruno Izidro

    Legal o texto, só achei que faltou contextualizar o mundo.

    Fiquei curioso, mas parece que faltou coisas a serem ditas.

    Quem é esse império e a narrativa que levou aparecer essa lua vermelha no céu etc.

    • Luiggi Ligocky

      Haha eu tinha pensado várias vezes em dar um resumo da história mas achei que ia ficar maçante demais quando eu só queria expor a experiência mesmo. É algo que vou considerar a próxima vez que user um texto assim!

  • Samir Machado

    Interessante como essa serie tem o dom de dar a volta por cima, o 1º Final Fantasy que seria o ultimo jogo de uma companhia que não estava indo bem e fez com que sua “despedida” fosse algo tão bom que virou o carro-chefe e salvação. E a historia se repete agora com o XIV que começou cheio de problemas e um sistema da combate extremamente chato, acumulando prejuízos e plas mãos do Naoki Yoshida (Yoshi P) que milagrosamente transformou o que era fracasso em uma das principiais fontes de lucros da Square Enix chegando a mais de 6 milhões de jogadores.

    Esse Evento foi incrível e vale ressaltar que todos esses 32.335 players que se mantiveram online nessas ultimas horas da versão 1.0 e continuaram no versão 2.0 (A Relm Reborn) alem de terem 30% desconto na mensalidade e uma tatuagem exclusiva em seus personagens, alem de outros benefícios, também estão eternizados no que se tornou o mais longo créditos finais em um MMO (1 hora de 38 minuntos) que recetemente rendeu o registro no Guinness World Records.

    O Yoshi P. alem de talentoso e criativo tem um carisma gigantesco sempre em contato constante com a comunidade preocupado com cada aspecto do jogo e em agradar os jogadores comovendo a todos quando se pronunciou pelos problemas de login no lançamento da versão 2.0 que teve tantos players que os servidores não agüentaram e muita gente conseguiu logar nos primeiros dias do Early Access e no video ao vivo da cerimônia de lançamento de 2.0 trouxe a responsabilidade pra si e foi as lágrimas se desculpando por ter “estragado” esse preimeiro contato dos player com o jogo por causa do erro de calculo dos servidores. Sempre carismático e zoeiro por criar alguns memes como o eterno “Please look forward to it!” resposta padrão para as perguntas sobre conteudo que ele ainda não pode falar e sempre fazendo Cosplay na maioria dos eventos como esse no anuncio do novo Job: Samurai

    Como deu pra perceber sou bem suspeito pra falar do XIV, rs afinal são mais de 8 mil horas muito bem jogadas desde o Beta no em junho de 2013 o unico arrependimento é não ter participado desse evento final do 1.0, nesses quase 4 anos passei pelo PS3, PS4 e hoje no PC, de jogador Casual para Hardcore e agora Midcore. Sou apaixonado por ele não apenas pelo jogo em si mas também pelo que ele foi capaz de me proporcionar como as batalhas e momentos épicos ao lado de pessoas incríveis que acabei conhecendo, a comunidade (BR e mundial) é muito acolhedora todos sempre buscando ajudar ao próximo. Continuo jogando diariamente e pretendo continuar assim por uns bons anos.
    https://uploads.disquscdn.com/images/b585a3a86f34364c340ae13dca4b64c3ca1bb4715a6eb596e957cbc23c0c7e45.png

  • Matios

    Comprei o jogo semana passada na promoção da SE e to jogando no PS4. O fato do jogo ter um slow start porque toda a população é desconfiada e a mão de obra ser necessária em todo canto (comecei em Limsa Lominsa) já te deixa um pouco a par do world building do jogo, que é uma das coisas mais absurdas que já vi num MMO (minto, É a coisa mais absurda). Você tem que literalmente voltar do lv1 toda vez que quiser conhecer a lore de uma cidade, os problemas que a Calamity trouxe pro local e os habitantes (alguns até são personagens). O final do “primeiro arco” onde você já sai com uma carinha de herói é a porta de entrada pra se apaixonar pelo jogo, indo atrás dos eventos do 1.0 então só te joga mais fundo ainda.
    É incrível como a Square Enix usou todas as críticas super pesadas e chegou num jogo que é simplesmente TUDO que tem de melhor em mecânicas de todos os FF em um só. Pelo pouco que joguei já percebi que não é um MMO como os outros (e isso já fica óbvio pelo fato de eu ainda estar jogando uma semana depois). Extremamente difícil aparecer algo do mesmo nível nos próximos anos.

    • Luiggi Ligocky

      acho que é coisa da square porque quem jogava o XI elogiava por coisas assim também. Eu To no mesmo braço que você, esse foi o único MMO que eu aguentei ficar mais de um mês e eu fiquei tão encantado por ele que eu tive que escrever

  • Lucas Elder

    Cara! Que incrível! Utilizar algo baseado em uma recepção real para enriquecer o lore do jogo dessa forma é… lindo!

    Nem sei muito o que dizer por MMO não ser meu gênero, mas… QUE FODA!!!

  • Samir Machado

    Interessante como essa serie tem o dom de dar a volta por cima, o 1º Final Fantasy que seria o ultimo jogo de uma companhia que não estava indo bem e fez com que sua “despedida” fosse algo tão bom que virou o carro-chefe e salvação. E a historia se repete agora com o XIV que começou cheio de problemas e um sistema da combate extremamente chato, acumulando prejuízos e plas mãos do Naoki Yoshida (Yoshi P) que milagrosamente transformou o que era fracasso em uma das principiais fontes de lucros da Square Enix chegando a mais de 6 milhões de jogadores.

    Esse Evento foi incrível e vale ressaltar que todos esses 32.335 players que se mantiveram online nessas ultimas horas da versão 1.0 e continuaram no versão 2.0 (A Relm Reborn) alem de terem 30% desconto na mensalidade e uma tatuagem exclusiva em seus personagens, alem de outros benefícios, também estão eternizados no que se tornou o mais longo créditos finais em um MMO (1 hora de 38 minuntos) que recetemente rendeu o registro no Guinness World Records.

    O Yoshi P. alem de talentoso e criativo tem um carisma gigantesco sempre em contato constante com a comunidade preocupado com cada aspecto do jogo e em agradar os jogadores comovendo a todos quando se pronunciou pelos problemas de login no lançamento da versão 2.0 que teve tantos players que os servidores não agüentaram e muita gente conseguiu logar nos primeiros dias do Early Access e no video ao vivo da cerimônia de lançamento de 2.0 trouxe a responsabilidade pra si e foi as lágrimas se desculpando por ter “estragado” esse preimeiro contato dos player com o jogo por causa do erro de calculo dos servidores. Sempre carismático e zoeiro por criar alguns memes como o eterno “Please look forward to it!” resposta padrão para as perguntas sobre conteudo que ele ainda não pode falar e sempre fazendo Cosplay na maioria dos eventos como esse no anuncio do novo Job: Samurai

    Como deu pra perceber sou bem suspeito pra falar do XIV, rs afinal são mais de 8 mil horas muito bem jogadas desde o Beta no em junho de 2013 o unico arrependimento é não ter participado desse evento final do 1.0, nesses quase 4 anos passei pelo PS3, PS4 e hoje no PC, de jogador Casual para Hardcore e agora Midcore. Sou apaixonado por ele não apenas pelo jogo em si mas também pelo que ele foi capaz de me proporcionar como as batalhas e momentos épicos ao lado de pessoas incríveis que acabei conhecendo, a comunidade (BR e mundial) é muito acolhedora todos sempre buscando ajudar ao próximo. Continuo jogando diariamente e pretendo continuar assim por uns bons anos. https://uploads.disquscdn.com/images/b585a3a86f34364c340ae13dca4b64c3ca1bb4715a6eb596e957cbc23c0c7e45.png

  • Samir Machado

    Interessante como essa serie tem o dom de dar a volta por cima, o 1º Final Fantasy que seria o ultimo jogo de uma companhia que não estava indo bem e fez com que sua “despedida” fosse algo tão bom que virou o carro-chefe e salvação. E a historia se repete agora com o XIV que começou cheio de problemas e um sistema da combate extremamente chato, acumulando prejuízos e pelas mãos do Naoki Yoshida (Yoshi P) que milagrosamente transformou o que era fracasso em uma das principiais fontes de lucros da Square Enix chegando a mais de 6 milhões de jogadores.

    Esse Evento foi incrível e vale ressaltar que todos esses 32.335 players que se mantiveram online nessas ultimas horas da versão 1.0 e continuaram no versão 2.0 (A Relm Reborn) alem de terem 30% desconto na mensalidade e uma tatuagem exclusiva em seus personagens, alem de outros benefícios, também estão eternizados no que se tornou o mais longo créditos finais em um MMO (1 hora de 38 minutos) que recentemente rendeu o registro no Guinness World Records.
    O Yoshi P. alem de talentoso e criativo tem um carisma gigantesco sempre em contato constante com a comunidade preocupado com cada aspecto do jogo e em agradar os jogadores comovendo a todos quando se pronunciou pelos problemas de login no lançamento da versão 2.0 que teve tantos players que os servidores não aguentaram e muita gente conseguiu logar nos primeiros dias do Early Access e no vídeo ao vivo da cerimônia de lançamento de 2.0 trouxe a responsabilidade pra si e foi as lágrimas se desculpando por ter “estragado” esse primeiro contato dos player com o jogo por causa do erro de calculo dos servidores. Sempre carismático e zoeiro por criar alguns memes como o eterno “Please look forward to it!” resposta padrão para as perguntas sobre conteudo que ele ainda não pode falar e sempre fazendo Cosplay na maioria dos eventos.

    Como deu pra perceber sou bem suspeito pra falar do XIV, rs afinal são mais de 8 mil horas muito bem jogadas desde o Beta no em junho de 2013 o unico arrependimento é não ter participado desse evento final do 1.0, nesses quase 4 anos passei pelo PS3, PS4 e hoje no PC, de jogador Casual para Hardcore e agora Midcore. Sou apaixonado por ele não apenas pelo jogo em si mas também pelo que ele foi capaz de me proporcionar como as batalhas e momentos épicos ao lado de pessoas incríveis que acabei conhecendo, a comunidade (BR e mundial) é muito acolhedora todos sempre buscando ajudar ao próximo. Continuo jogando diariamente e pretendo continuar assim por uns bons anos.

  • Kato Falkhort

    Esse Evento foi incrível e vale ressaltar que todos esses 32.335 players que se mantiveram online nessas ultimas horas da versão 1.0 e continuaram no versão 2.0 (A Relm Reborn) alem de terem 30% desconto na mensalidade e uma tatuagem exclusiva em seus personagens, alem de outros benefícios, também estão eternizados no que se tornou o mais longo créditos finais em um MMO (1 hora de 38 minutos) que recentemente rendeu o registro no Guinness World Records.

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